[Fanfic] As Aventuras de Lilith: Os Sete+Um e a Guerreira

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Um sinal é enviado.

Inaudível para os mortais, invisível para qualquer ser vivo, uma leve vibração nas forças misticas que rodeiam o mundo e um brilho entre as Runas perdidas. Mas perfeitamente compreensível para um pequeno e seleto grupo que voltam seus olhos para o céu, respondendo positivamente.

***

O Salão do Imortal e adormecido Kalandrago, cuja aparência e interior mudam constantemente a cada visita, recebe os convocados. Um a um, eles adentram o majestoso recinto, trajando pesados mantos negros. Seus rostos estavam cobertos por impassíveis mascaras, cujas aparências lembravam as de um pato. Tal aspecto escondia os mistérios que os envolvem e os unem, ao mesmo tempo em que sutilmente revelam suas excentricidades, ou sua total loucura.

Os Kalandraconianos são irmãos e iguais. Não existem segredos entre eles e nada mais além do Grande Plano e a vontade absoluta do Grande Kalandrago lhes importava. Vindos de seus domínios espalhados pelo mundo, os Sete novamente se reúnem diante de uma grande mesa espelhada.

Sobre a mesa, cinco figuras sob a forma estatuetas menores que a palma da mão, estão posicionadas: os Quatro habitantes de Shenzenk escolhidos pelos deuses a enfrentarem seus desafios e a sofrerem as complexas manipulações dos Sete em seus domínios, e o Anão, um visitante de um reino distante que fora escolhido para participar Grande Plano, apesar de ser considerado desnecessário segundo alguns dos Sete.

Os Sete observam as figuras com satisfação, pois tudo corria como o planejado mas eis que finalmente, envolto em sombras e névoas, o UM se aproxima. O misterioso UM, considerado o líder dos Sete segundo os delírios de loucos, trajava as mesmas vestes de seus irmãos, o que traria uma grande confusão para um observador externo, justamente porque os Sete + UM eram indistinguíveis. Ele entra silenciosamente na Grande Sala e todos, também em silencio, o observam, afinal fora ele quem os havia convocado. Ele toca a mesa e no meio dos Cinco Heróis, uma sexta figura se revela.

A imagem revela uma mulher, linda e exuberante. Sua pele era clara, algo que destoava do costumeiro bronzeado do deserto. Seus cabelos tinham a cor e a vivacidade do fogo, como se este elemento lhe servisse de signo, como um simbolo pessoal e seu olhar era desafiador. Estava vestida com uma armadura dourada que cobria quase todo o seu belo corpo e brandia com um misto de orgulho e arrogância, uma afiadíssima espada em sua mão direita e um escudo circular na esquerda.

Os Kalandraconianos se entreolham, algo estava errado, algo mudou nos planos e todos se voltam para o UM, parado diante da mesa.

“Quem é ela?” – pergunta um dos Sete. O som de suas vozes lembravam a força do vento com relâmpagos.

O UM ergue sua face mascarada e responde.

“Um grande problema… Temos que nos preparar.”

Os Sete+UM circundam a mesa e olham para os Seis heróis sobre ela. Um novo jogo estava para começar.

Cronicas Kalandraconias: Os Sete+Um e a Guerreira

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Minha pequena homenagem aos autores Marcelo Del Debbio e Lucy Fidelis pela criação da personagem no livro: As Aventuras de Lilith. A pequena Lilith, filha de Marcelo Del Debbio, que lhe deu o sopro de vida. A Kalango Analógico por trazer a guerreira ás mesas de jogo com o Runicards: Dungeons – Desafios do Deserto e a todos os apoiadores que permitiram a chegada da miniatura desta linda Guerreira.

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E é claro, um agradecimento especial aos Kalandraconianos: os Sete+UM (sim, eles existem).

Adriano “Mestre Magico” Cleber Tume.

– As Aventuras de Lilith é uma criação de Marcelo Del Debbio e Lucy Fidelis
– Runicards: Dungeons – Desafios do Deserto é uma criação de Rovalde Banchieri.

Todos os direitos reservados.

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Fanfic – Como Um Beijo de Despedida – Patrulha Estelar

Como Um Beijo de Despedida

Hadrian Marius
http://admarius.blogspot.com/

Quando o Conselho de Segurança Terrestre negou o pedido para que se investigasse a misteriosa mensagem que tinha sido enviada, das profundezas do espaço, para a Terra, Wildstar imediatamente propôs o seqüestro do Yamato. Do alto de sua impetuosidade o jovem capitão nem sequer refletiu sobre as conseqüências de sua iniciativa.

Para os antigos membros da Patrulha Estelar tal proposta envolvia muito mais do que o fim de suas carreiras e a Corte Marcial.

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Foi Hardy quem primeiro trouxe a noticia dos planos de Wildstar para Conroy, líder dos Tigres Negros. Desde a desativação da Patrulha Estelar, o grupo aéreo que tinha servido a bordo do Yamato na viagem a Iscandar tinha sido transferido para a Base Lunar e ainda possuía, praticamente, todos os membros da época da viagem.

“Então?”, Hardy perguntou após alguns minutos de silêncio.

“Acho que Wildstar se precipitou”.

“Mas você deve concordar comigo que alguma coisa deve ser feita; são estes blecautes, que me cheiram a sabotagem, estes ataques perpetrados por naves desconhecidas contra nossas esquadras de patrulha. E como se não bastasse, agora, recebemos esta mensagem de Deus sabe onde”.

“Sei de tudo isto Hardy! Mas ainda acho que foi precipitação do Wildstar. Obviamente o comandante não teria permanecido calado por muito tempo e ele conseguiria convencer o Conselho”.

Talvez. Mas agora o que esta feito, está feito!”, Hardy olhou fixamente o amigo,” E então? Você vem ou não vem?”“.

“Tenho que pensar…”

“Entendo”, havia decepção nestas palavras proferidas por Hardy, que apoiou as mãos sobre a mesa e se levantou, “Bom! Já me demorei demais; tenho patrulhamento amanhã de manhã”.

Dito isto saiu.

Deixado só, no alojamento, Conroy lançou seus olhos sobre um porta-retrato que havia próximo a cabeceira de sua cama; nele um rosto de mulher parecia sorrir para ele.

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Rebecca Denadai era oficial na Estação Energética Lunar e Conroy a conhecia desde que tirara licença, uns dois anos antes, na antiga Cidade Subterrânea de Los Angeles. Foi amor a primeira vista.

Desde então ambos tinham passados por bons e maus momentos e seu amor sempre tinha prevalecido. Mesmo quando ele se voluntariou para a jornada até Iscandar.

Obviamente ela não tinha concordado com tal atitude. Nunca mais ele deveria procura-la, tinha dito na ocasião.

Foi um ano longo e triste…mas, quando o dia do retorno chegou, e a belonave retornou sã e salva, Rebecca estava nas docas esperando-o. Lagrimas escorriam de seus belos olhos azuis.

Agora seu amor seria novamente posto a prova e Conroy tinha medo de que quando voltasse ela não estaria esperando-o.

Apesar de todo o receio que sentia, ele já havia tomado sua decisão portanto deveria procura-la.

Ambos se encontraram num observatório e após vários rodeios ele conseguiu dizer.

Rebecca permaneceu calada, como se digerisse as palavras de seu amante, fazendo Conroy suar.

“Então quer dizer que você vai?”, disse enfim.

“Tenho compromissos para com a Patrulha Estelar”, tentou-se explicar mas se arrependeu destas palavras quanto viu a sombra da indignação passar sobre os olhos de Rebecca.

“E comigo? Você não tem um compromisso comigo, também?”

Por um instante o anel em seu dedo brilhou, chamando toda a atenção para si.

“Rebecca…eu quero que entenda…”

“Não há nada para que eu entenda. Você sempre preferiu aquele bando de aventureiros a a mim!”.

Pela primeira vez Conroy sentiu que ia perde-la. Tentou desesperadamente ainda articular algum argumento mas ela simplesmente balançou a cabeça, se recusando a ouvir, e deixou o observatório.

O comandante dos Tigres Negros, herói da Terra, permaneceu imóvel. Seus olhos fixos no horizonte lunar.

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Os membros dos Tigres Negros sabiam que sua decisão de se juntar a Patrulha Estelar dependeria principalmente de como estivesse o quadro de prontidão no dia decisivo; eles não poderiam tentar tomar a base e muito menos forçar uma saída da mesma. Então tudo foi feito, pelos membros mais graduados, para que quando chegasse a hora, o maior numero possível de esquadrilhas pertencentes ao 26º GAVE “Tigres Negros” estivesse de prontidão. Esta operação, silenciosa, envolveu, muitas vezes, troca de favores, falsificações, sedução e até uma ou duas ameaças.

Conroy participou ativamente de tais procedimentos, tinha optado por faze-los quando decidiu ir, mas seus pensamentos ainda rememoravam o dia em que contou para Rebecca. Desde aquele dia ele a procurara. Em vão porque ela o evitou e aquela base podia se tornar imensa se uma pessoa não quisesse se encontrar com outra.

Infelizmente ele não poderia se preocupar com seus dramas pessoais, assuntos mais urgentes clamavam por sua atenção.

Apesar de todos os esforços eles não haviam conseguido fazer com que todo o contingente de prontidão na base fosse pertencente aos Tigres Negros. Mas, este não era o problema…

O problema era o fato de que ao receberem a relação de unidades escaladas para permanecerem de prontidão, esta continha todas as unidades dos Tigres Negros, inclusive a esquadrilha que estava sublocada sob o comando da 3º Força Aérea.

Tinham recebido uma ajuda inesperada e, ao invés, de agradecerem, eles desconfiaram. Cilada era o que mais se ouvia nos alojamentos. Tudo não passava de um plano com o intuito de pegá-los em flagrante.

Coube a Conroy e Hardy a tarefa de acalmar os ânimos enquanto formulavam teorias para o que consideravam um mistério. Somente Conroy fez uma idéia de quem era o benfeitor do grupo, mas rapidamente descartou-a.

********************

O dia fatídico chegou:

A Patrulha Estelar tinha seqüestrado o Yamato e decolado, sem permissão, e como a Força Aérea se mostrou incapaz de detê-los, esta missão foi outorgada a Base Lunar.

O alvoroço tomou conta da Base. Deviam interceptar e, se preciso, abater a nave dos amotinados. Amotinados que todos consideravam heróis.

Os pilotos caminhavam, solenemente, para seus caças. Conroy, que tinha recebido a noticia com apatia, caminhava cabisbaixo. Ainda não tinha se reencontrado com Rebecca e lamentava o fato de ter que partir sem ao menos vê-la.

“Você deveria estar mais animado”.

Conroy estacou.

Durante vários dias tinha desejado ouvir aquela voz e agora a ouvia nitidamente de um dos corredores adjacentes. Vasculhou a origem e deparou-se com um corpo esguio contemplando-o: Rebecca!

Ele se aproximou com a mente fervilhando, muitas vezes pensara no que diria quando a encontrasse mas, agora não conseguia encontrar a palavras. Subitamente lembrou-se da folha de escala….

“Foi meu presente de despedida”, ela sorriu, adivinhando seu pensamento.

“Rebecca. Eu quero me desculpar”

“Quem deve desculpas sou eu. Depois que nos separamos naquele dia eu pensei muito, sabe. E resolvi que estava sendo uma egoísta, você pensava no bem de todos e eu apenas queria que você ficasse do meu lado. Então resolvi agir”, ela sorriu novamente, “Então o que achou?”

“Não sei como agradecer”.

“Você pode voltar inteiro pois, eu lhe estarei esperando de véu e grinalda”, disse com um sorriso malicioso e esperançoso.

“E ai deixaremos para os jovens a proteção do mundo e compraremos uma casinha. Onde seremos felizes”, ele complementou, após alguns segundos. Percebera naquele momento, que era isto que realmente queria. Do fundo de sua alma

O sorriso de Rebecca se tornou jovial refletindo o que sentia no coração.

Poderiam ter permanecido ali por toda uma eternidade. Trocando juras de amor. Mas o dever chamava e a sereia não deixava que ambos esquecessem disso. Então o líder dos Tigres Negros se preparou para continuar seu caminho.

“Aonde pensa que vai?”

No ultimo instante Rebecca segurou-o pelo braço e trouxe-o para junto de si. Ela oferecia seus lábios que foram aceitos loucamente.

“É pra dar sorte”.

Disse liberando-o.

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A movimentação no hangar da Base era grande mas Conroy não encontrou dificuldades em encontrar seu aparelho. Abastecido e armado.

Manobrou a aeronave com a presteza adquirida em anos de serviço e posicionou o Cosmo Tiger em ponto de decolagem.

“Tigre Negro Um. Liberado para decolar”, a liberação soou em seus ouvidos e imediatamente empurrou o manete fazendo a maquina se precipitar em direção à saída.

Relanceou o olhar pelos retrovisores; como se procurasse ver Rebecca. Ele não á viu mas sentia que ela estava observando sua decolagem.

Ela o esperaria e ele voltaria, era sua promessa.

O Cosmo Tiger deixou o chão da pista da Base Lunar e arremessou-se no espaço em direção ao desconhecido.

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O astro-caça desapareceu na noite espacial e ela suspirou.

Rebecca Denadai conhecia Conroy a tempo suficiente para conhecer-lhe os desejos e os sonhos e eles eram parecidos com os seus. Talvez por isso, mesmo contrariada, ela permanecia a seu lado.

Sua mão tocou as lágrimas que caiam de seus olhos e umedeceram o lábio, onde ainda sentia o gosto de seu amante.

Estava feliz era óbvio mas, e ela não conseguia entender, porque chorava de tristeza? Como se aquele beijo que dera nele fora o de despedida.

ENDE

Publicado originalmente no site Biblioteca do Guaruhara.